
Tipo de exploração:
Lavagens (uso religioso)
Natureza da água:
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Indicações:
Doenças de pele

[A fonte Milagrosa Senhor do Bonfim]
Época termal
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Doenças de pele (popular)
Tratamentos/ caracterização de utentes
Banhos no local e recolha de água (Almeida e Almeida 1970).
Banhos no local já não se praticam, mas a recolha de água para lavagens locais e mesmo para fins de base espiritualista é ainda corrente, conforme os testemunhos recolhidos: “Uma já faleceu, cunhada do meu marido, o irmão ainda é vivo, levava garrafões para o Brasil, mas ela era média, era lá para as coisas dela.” (informante)
Instalações/ património construído e ambiental
A água rebenta de uma fraga de granito, ao qual foi anexada uma fonte de chafurdo, com o tanque para banhos a um nível mais baixo, coberta por uma construção em forma de capela, de arco ogival, coroada por uma cruz. Na argamassa encontra-se inscrita a data de 1928, com certeza correspondente a uma renovação da fonte.
Esta nascente tem uma característica curiosa: o caudal é de regime intermitente, começando a correr no princípio da Primavera, com maior caudal em pleno Verão, chegando a atingir 9000 litros/24 h, para desaparecer em Outubro (Almeida e Almeida 1970).
Esta característica é também associada ao sagrado nos testemunhos recolhidos:
“É uma água milagrosa, isto que estou a dizer é da minha lembrança que vi. Eu fui para Angola e vim de Angola. Estava um, que era o sacristão, que era assim meio amalucado, eu tinha vindo aqui a casa desta senhora e vi aqui a fonte sequinha como está aqui o chão. Dia do Corpo de Deus, o tal sacristão veio buscar aqui não sei o quê para a igreja e vai para baixo, que ele morava ali em baixo a dizer: «Que digam que não é milagre, que a fonte já arrebentou». «Não sejas aldrabão», mas vim aqui, e estava a deitar uma pinguita, dai a pouco outra e mais outra, ao outro dia era como ao fio de aguardente. Vi com os próprios olhos, era sempre no dia do Corpo de Deus.” (informante)
Natureza
Grupo das hipossalinas, de pH sempre ácido, alcalino-sódicas, hipotermal (Almeida e Almeida 1970).
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Segundo Almeida e Almeida (1970: 312), “Toda a gente do lugar conta as suas curas em doenças de pele, sendo por isso procurada por doentes que vêm de longe e se lavam num pequeno tanque de granito[…] São frequentes os pedidos para outros pontos do País, e até para o estrangeiro (Espanha e Brasil), onde os seus efeitos a tornaram conhecida.” Este autor conclui depois da análise química: “É uma água de marcada hipossalinidade, alcalino-sódica, do tipo de Negrões, Pesqueiras e Monfortinho, de reconhecidas propriedades terapêuticas.” A nascente continua a ser procurada para uso curativo e sagrado, mas os tempos são diferentes, como lamentou uma das informantes: “Vinham aqui buscar água em garrafões para se lavarem. Agora meu amigo o nosso Deus é o dinheiro e os remédios da farmácia, agora já não há fé nenhuma.”
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Almeida 1970
Freguesia
Sonim
Povoação/Lugar
Sonim
Localização
A 150 m da capela do Senhor do Bonfim, na rua do Calvário. Esta zona de cima da aldeia é conhecida pelo nome de Bairro Alto.
Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio Douro
Zona geológica
Maciço Hespérico – Zona Centro-Ibérica
Fundo geológico (factor geo.)
Rochas magmáticas ácidas (granitóides)
Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l CaCO3
Concessionária
Uso popular – uso sacro
Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.

“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais