AVISO: A informação disponibilizada neste site tem como data de referência o ano 2002 e pode encontrar-se desactualizada.


[O Sr. Henrique Lapa Rocha, na entrada da mina]

 

Época termal
---

Indicações

Nascente da Mina: atonias digestivas, artritismo, afecções do fígado (Contreiras 1951)
O valor terapêutico da água de Covelinhas vem do facto das pessoas da região dizerem que «não a podiam beber porque fazia fome»” (Almeida e Almeida 1970).
“Aqui há uns anos atrás, ainda havia uma senhora, que volta e meia pedia para levar uns garrafões. Agora muito raramente vem alguém buscar água.” (Henrique Lapa Rocha, entrevista)
Poço: doenças de pele e reumatismo.

“Ninguém a vem buscar nem para beber nem para lavagens. Se calhar agora é que justificava fazer isso, esse poço é um bom poço, não tem dado problemas de falhar e se calhar fazer umas termas já dava mais resultado que o vinho. (Henrique Lapa Rocha, entrevista)


Tratamentos/ caracterização de utentes

“Esta água está esquecida para esses fins medicinais, porque ela esquecida não está, como vê nós estamos a utiliza-la.” (Henrique Lapa Rocha, entrevista)

 

Instalações/ património construído e ambiental

A água emerge de xistos ao fundo de uma mina com 21 m, com um caudal de 2400 litros/dia (cit. Almeida e Almeida 1970). Actualmente o caudal é bem mais diminuto, formando um fio constante de água, mas a mina sofreu algumas alterações depois do Inverno de 2000, em que se desmoronou o muro de sustentação das terras sobre a mina: “De maneira que eu falei com o meu patrão, para se alterar a boca da mina, fizemos um muro de um lado e do outro, meteu-se uma placa aqui em cima, e agora entra-se por aqui, é perto, poderá ter 25 m ou 30 m, é muito pequena.”
Actualmente a água é captada no fundo da mina a uma altura de 2,5 m. A água que sai da rocha cai numa bacia de onde é conduzida por mangueira para o velho depósito em pedra com uma capacidade de cerca de 2 m 3. Anteriormente a água, que escorria de vários pontos deste rochedo xistoso, era retida numa sucessão de bacias, seguindo depois para o depósito.

O Poço da Adega é um poço aberto recentemente, com um bom caudal de água tépida, como nos relatou o feitor: “Esta água do poço é que tem uma característica fora do vulgar, esta é que se calhar lhe interessa, é sulfurosa. Ela vem lá debaixo das casas para cima, ainda são 250 m, ponho-a a correr e quando voltarmos já dá para ver o cheiro dela, aliás esta água nem nos aconselham a beber, faz mal. Esta água é igual há das Caldas de Moledo, tem aquele cheiro mesmo forte. O poço vem daquela primeira casa que é uma adega, foi lá que abrimos o poço, esta água não é muito fresca.”

 

Natureza

Nascente da Mina: mal determinada (Correia 1922); carbonatada cálcica (Contreiras 1951); grupo das bicarbonatadas, alcalino sódico cálcica / hipossalina hipotermal (Almeida e Almeida 1970)

Poço da Adega: sulfúrea.

 

Alvará de concessão

1921 - Alvará de concessão, publicação: DG, nº 129, 2ª série, de 27/5
1923 – Considerada abandonadas, publicação: DG, nº 43, 2ª série, de 22/2
1923- Alvará de CONCESSÃO, publicação: DG, nº 142, 2ª série, de 21/6, a favor de Fénix Comercial Lda.

1923 – Considerada abandonadas, publicação: DG, no 167, 3ª série, 20/7/1942

regressar ao topo da página

 

Historial

Em “Águas e Termas” (1918) no capítulo referente a Caldas de Moledo, há uma pequena nota final: “Há também as águas minero-medicinais de Covelinhas, brotando de uma propriedade de Manuel Monteiro, mas não são frequentadas como as de Moledo, quase se limita a frequência aos povos das imediações.”
Acciaiuoli, nos seus relatórios das décadas de 1930 e 40, comenta: “Ainda não foi entregue a planta tipográfica para a demarcação da área reservada. Não esteve em exploração” (1941: 196).
No relatório do ano seguinte (1940) o comentário é o seguinte: “Porque a concessionária não pagou o imposto fixo a que é obrigada durante três anos consecutivos, perdeu o direito à concessão…” (1942: 172).
Almeida e Almeida (1970) referem uma análise de Lepierre em 1915 de que não encontrámos referências (deverá ser a de Salgado), comparando-as com as feitas por eles, e concluem que “o resíduo está sensivelmente mais elevado mas a diferença apreciável é a enorme subida do bicarbonatado e do sódio, quase duplicados”
Estes autores comenta ainda que a procura desta água nas décadas de 1910 e 1920 era uma “verdadeira romaria”, o que já não se verificava quando da sua visita, mas essa memória mantinha-se e o seu “actual proprietário” ponha a hipótese de uma futura exploração.
Esta propriedade de 20 hectares terá sido adquirida no princípio da década de 1950 pelo pai do actual proprietário, Dr. Poças Monteiro, produtor e comerciante de vinhos do Porto, sendo os terrenos da quinta na sua maioria plantados de vinhedos, cultura esta que obriga a anuais movimentos de terra (“o terreno foi saibrado há uns 10 ou 12 anos”) o que poderá estar relacionado com as alterações que Almeida e Almeida (1970) verificaram.

A procura desta água é hoje muito reduzida ou quase nula em comparação com as “romarias” que se formavam no princípio do século XX. As cíclicas crises da produção do vinho e a recente abertura de um poço, cuja água se mostrou sulfúrea, levaram o feitor da Quinta das Murças de Cima a afirmar que “esse poço é um bom poço, não tem dado problemas de falhar e se calhar fazer umas termas já dava mais resultado que o vinho.

regressar ao topo da página

 

Alojamentos

---

regressar ao topo da página

 


Recortes

---

regressar ao topo da página

 

Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a;  1948b; 1949-50; 1953, Almeida 1970, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Contreiras 1941, Correia 1923, Neiva 1946-47, Pacheco 1918, Salgado 1915, Silva 1910. Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas Portuguesas 1918, Le Portugal Hydrologique et Climatique 1930-42

regressar ao topo da página

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Dados gerais

Distrito
Vila Real

Concelho
Peso da Régua

Freguesia
Covelinhas       

Povoação/Lugar
Quinta da Murça de Cima 

Localização
Em Covelinhas toma-se a direcção da estação, e antes de chegar a esta vira-se para um ramal de estrada que sobe para a Quinta da Murça de Cima, a 2 km da sede de freguesia. A nascente da mina encontra-se acima da casa, entre vinhedos, a do poço no topo poente da adega.  

Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio Douro      

Zona geológica
Maciço Hespérico - Zona Centro-Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas metamórficas (xistos)  

Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l CaCO3

Concessionária

Uso particular

Telefone
Proprietário: Dr. Poças Monteiro, escritório na Quinta da Vacaria, tel.: 254313278

Fax
n.d.

Morada
n.d.

E-mail / site

n.d.

 

 

 


Entrando na mina




Interior da mina,  penedo de quartzo de onde nasce a água




Vista sobre o Vale do Douro