
Tipo de exploração:
Sem uso
Natureza da água:
Cloretada sulfatada
Indicações:
Doenças de pele

[O Mouchão da Póvoa visto do cais de Póvoa de Santa Iria]
Época termal
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Inflamações e úlceras da pele e mucosas (Contreiras 1951)
“Aquilo era mais para a pele” (informante).
“Já há muito tempo que ninguém lá vai buscar água, era para a pele” (informante).
Tratamentos/ caracterização de utentes
“Ainda me lembro muito bem dessa água, era salobra, vendia-se na farmácia dantes. Tinha o rótulo de Mouchão da Póvoa e tudo” (informante).
Instalações/ património construído e ambiental
A água é captada num poço artesiano com 46 metros de profundidade que atravessa as argilas do aluvião (cf. Anuário 1963), junto do qual se encontrava a oficina de engarrafamento. Actualmente tudo em estado de ruína: “Tem que pedir a um pescador para o passar para lá, mas depois ainda é um esticão até a casa da água, ainda é um bom bocado a pé. Ali é o cais, atravessa-se para lá depois de lá até à casa da água ainda é um pedaço grande. Aquilo está tudo desprezado, dantes havia caminhos, agora não há nada.”
Deverá pertencer ao mesmo aquífero das Alcaçarias e dos Banhos de São Paulo, que depois diverge para SO em direcção à Fonte da Telha.
Natureza
Cloretada sódica, cálcica e magnesiana, sulfatada cálcica.
Alvará de concessão 9/11/1910.
Alvará de transmissão 28/8/1915.
Por alvará de 22 de Agosto de 1945 passou a ter uma área reservada de 50 ha.
Abandonada em 22 de Abril de 1951.
Em 1910 o Dr. H. Mastbaum analisou estas águas, que emergiam de poço artesiano com 46 m de profundidade.
Foi apresentado em 6/1/1916 à Assembleia um projecto de lei para formação da freguesia (paróquia) em Póvoa de Santa Iria. Na apresentação foi lida a “representação” de vários cidadãos ali residentes, que, ao enumerarem as características dessa terra (hoje subúrbio de Lisboa), referem um “estabelecimento de termas medicinais (águas minerais da Póvoa); brota do seu solo a nascente da acreditada Água do Mouchão da Póvoa”.
Nos relatórios de Acciaiuoli (de 1939- 46) nunca é mencionado nenhum balneário, sendo o engarrafamento da água em pequena quantidade.
O Anuário (1963) nada indica que não se comercializasse a água, pois a ficha sobre esta nascente termina com a afirmação: “Encontra-se à venda em garrafas e garrafões”, e quanto ao seu emprego assinala bem que é para “uso externo, no tratamento de doenças de pele”.
Terá sido na década de 1960 que terminou a exploração e comercialização desta água, para o qual contribuíram os avisos de que era só útil em lavagens externas.
Hoje o Mouchão da Povoa é uma enorme propriedade sem a exploração agro-pecuária que a caracterizou durante séculos: “Agora aquilo está tudo desprezado, ninguém amanha nada, foi vendido a um holandês, ele deu-se mal por ai e desapareceu. Mal empregada terra estar ali, dava de comer à Póvoa, o Mouchão da Póvoa. Era criação, era gado, era o grão melhor que havia, as melhores favas, dava toneladas de trigo, girassol, feno, criava-se ali borregos, patos, perus. Todo ali se criava naquele Mouchão da Póvoa, mal empregado… Cheguei a lá ir criar borregos marinhos, pareciam burros, aquilo era uma terra que não faz ideia, não é preciso insecticidas nem adubos nem nada, era preciso era que chovesse bem, dava toneladas de trigo e o gado” (informante).
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Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a; 1948b; 1949-50; 1953. Calado 1995, Contreiras 1937, Contreiras 1951,Correia 1922, Mastbaum 1910, Morais 1947, Pego 1910, Winckel 1914, Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas Portuguesas 1918, Mapa de análises 1934, Le Portugal hidrologique et climatique, 1930-42, Termas de Portugal 1947
Freguesia
Póvoa de Santa Iria
Povoação/Lugar
Mouchão da Póvoa
Localização
No mouchão no Tejo frente a Póvoa de Santa Iria
Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio Tejo
Zona geológica
Bacia Terciária do Tejo
Fundo geológico (factor geo.)
Rochas sedimentares (aluviões)
Dureza águas subterrâneas
100 a 300 mg/l CaCO3
Concessionária
Sem uso
Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.

“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais