
Tipo de exploração:
Água para lavagens
Natureza da água:
Sulfúrea
Indicações (pop.):
Reumatismo

[Recolhendo água na nascente]
Época termal
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Reumatismo
Tratamentos/ caracterização de utentes
Lavagens e ingestão
“Usavam aquilo mais para lavagens, para feridas, para limpar a boca e nariz, vão lá com um copinho e aproveitam para bochecho.” (informante)
“Também bebem, mas tem de ser pouco, houve uma senhora que corou uma úlcera no estômago a beber todos os dias um pouco desta água.” (informante)
Instalações/ património construído e ambiental
A emergência de água fica no leito do rio Arnoia, na sua margem direita, onde a água rebenta por dois olhos, a um nível que no Inverno fica submerso pelas águas do rio.
A cerca de 200 m desta nascente encontram-se o campo arqueológico da cidade romana de Eburobrittium, descoberto em 1994 com a construção da AE 8. Nos espaços já intervencionados destaca-se o local das termas: “Do edifício termal apenas temos escavadas a zona quente «Lacónico», sala das banheiras, sala de descanso, praefrniun e um corredor de serviço.”
Natureza
Sulfúrea sódica e cloretada sódica (Calado 1992)
“Esta ainda é melhor que a da Quinta das Janelas, esta é mais forte. E ainda há mais acima um poço, que chamam o poço sem fundo, porque acho que não têm fundo, que também é ‘silfurica’, as águas ali são todas ‘silfuricas’.” (informante)
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Caldas da Quinta das Flores é a denominação dada no Aquilégio (1726: 17), com o seguinte texto: “Em pouca distancia das Caldas do numero antecedente [Quinta dos Freires, Gaeiras], há outras junto da quinta chamada das Flores, que é do Hospital Real das Caldas, onde brotam dois olhos de água do mesmo minerais, e qualidade, que a das outras, e sem embargo de que tem um tanque, em que tomavam banhos, hoje usa-se pouco destas caldas, porque quem há mister este remédio, ou vai aos banhos das Caldas da Rainha, ou os toma na quinta dos Freires, em que estão os tanques cobertos, e se tomam com melhor comodidade. Nas terras por onde correm as águas de todas estas Caldas, se acha um lodo viscoso, e negro, que é bom para as inchações de juntas, e de partes nervosas, aplicando-se quente.”
Tavares (1810: 150) menciona o Vale de Flores: “Em distância de quase uma milha da Quinta das Gaeiras, para O. S. O., e S. O. das Caldas da Rainha é a Quinta de Vale de Flores, anexa antigamente ao Hospital, ao qual ainda hoje paga foro. A casa que ainda existe, tem na arquitectura de suas portas e janelas o testemunho da sua antiguidade. Em alguma distância dela para O.S.O. há uma copiosa nascente de água sulfúrea em tudo a mesma com as águas da Vila. Existem ainda ali restos ruinosos de um grande tanque, do qual não é possível fazer uso algum, e a água em copiosas nascentes se espalha por um paul que lhe fica imediato. O seu calor no tanque é de 84ºF ou 23 de R. talvez por estar sempre descoberta ao ar livre.”
Se a descrição dada no Aquilégio coincide com o local desta nascente, que se encontra a menos de 500 m em linha recta da Caldas da Gaeiras, o mesmo não se poderá dizer da descrição de Tavares, que parece mais referir-se à nascente das Águas Santas.
Quanto ao tanque de banhos descrito, não existe qualquer testemunho, mas no entanto deverá ser esta mesma nascente que alimentava as vizinhas termas romanas da cidade romana Eburobrittium, descritas por Plínio o Velho (século I), como localizadas entre Leiria e Lisboa e postas a descoberto em 1994 com a construção da auto-estrada. Esta cidade terá sido construída no tempo de Augusto, último decénio do século I a.C., e terá sido habitada até ao século V. As escavações arqueológicas efectuadas até ao momento puseram a descoberto partes do fórum e zona quente das termas.
Vários e de todos os tipos em Óbidos
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Henriques 1726, Leal 1875-80, Tavares 1810
Freguesia
Gaeiras
Povoação/Lugar
Quinta das Flores
Localização
Na margem direita do rio Arnoia. Na EN-8, na direcção Norte-Sul, antes de chegar a Óbidos, toma-se a estrada de terra batida antes da ponte sobre o rio Arnoia. Na direcção montante, a cerca de 1 km, no final do recente trajecto pedestre, desce-se para o leito do rio onde se encontra a nascente. Continuando na mesma estrada, a 200 m fica a entrada do Campo Arqueológico de Eburobrittium, onde se encontram as ruínas das termas romanas.
Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica: Ribeiras de costa
Zona geológica
Orlas Meso-Cenozóicas
Fundo geológico (factor geo.)
Vale tifónico – Diapiro
Dureza águas subterrâneas
100 a 300
Concessionária
Uso popular. A Quinta das Flores, onde se localiza esta nascente e as ruínas romanas, faz parte das propriedades adquiridas pela Associação Portuguesa de Farmácias.
Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.

As termas romanas de Eburobrittiun – Óbidos
“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais