
Tipo de exploração:
Água para ingestão, lavagens e banho
Natureza da água:
Cloretada
Indicações:
Reumatismo, dermatoses e aparelho digestivo

[A nascente encontra-se depois das ruínas do forte do séc. XVI, ao Fundo S. Martinho]
Época termal
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Dermatoses, reumatismo, e dispepsias ácidas
(Acciaiuoli 1947: 140)
Tratamentos/ caracterização de utentes
A água é utilizada em banhos e por ingestão.
Os banhos fazem-se na maré vazia, quando a água da nascente fica represada nas poças formadas pelos rochedos. Alguns utentes combinam o banho com um tratamento de lamas existentes no local: “Aqui de volta há argila, esfregam-se com argila e depois metem-se nas poças, dizem elas que se sentem bem.” (informante)
Mas a água é também procurada para ingestão pelas suas qualidades digestivas, tornando-se num passeio habitual dos veraneantes.
Instalações/ património construído e ambiental
Nascente de Salir: a emergência da nascente encontra-se no interior da concha de São Martinho, na barra do lado sul, na duna de Salir, que, como referiu o engenheiro António Lamas em conversa, não se trata de uma duna: “A célebre nascente da Alfandega é ali depois da foz da ribeira de Salir, ali na margem, a seguir à duna, que não é duna, aquilo é uma duna artificial que foi criada pela dragagem da baía, por deposição de matérias de dragagem da baía, que chamam a duna grande de Salir, que não é duna nenhuma, é um depósito de areias e não uma duna. Foi de uma dragagem feita ainda no século XIX.”
A captação tentada na década de 1940 consiste num muro de protecção de cerca de 1,5m de altura, formando uma construção de planta rectangular de 2x1,5 m, no interior do qual há uma escada de cinco degraus da acesso à captação, que na sua parte visível consiste num grande tubo metálico de onde a água jorra em grande caudal.
A emergência do lado de São Martinho localiza-se na base do último pedregulho da ponta da barra, depois da doca de pesca, só visível nas grandes marés baixas.
A pequena altitude das colinas e a sua temperatura (27º a 29º) denunciam a localização da sua bacia noutro local: “Somos levados a crer que a bacia de alimentação das nascentes é afastada e fica para SW, no maciço calcário que se prolonga até à serra do Bouro.” (Sousa 1946, cit. Acciaiuoli 1947)
Natureza
Nascentes de Salir: Sulfurosa cloretada sódica (Roquete 1899), bicarbonatada mista (Lepierre 1915).
Nascente da Ponta da Barra ou Farol: de natureza sulfúrea (Sousa, 1946).
1901 - Diário do Governo nº 224 de 5/10 – Publicação de alvará de exploração
1925 - Diário do Governo nº 99, II série, de 28/4 – Declaração de abandono
1944 - Diário do Governo nº 225, III série, de 26/9 – Publicação de alvará de exploração nº 3333 a favor de Joaquim FerrãoVaz
Acciaiuoli (1947), no seu relatório sobre a actividade de 1943-46, reproduz parte do relatório de Sousa (1946). Este geólogo escreveu sobre a nascente: “Desde remota data são conhecidas e utilizadas pela população local. Restos de antigas banheiras de alvenaria ainda se podem observar, próximo das ruínas do velho estaleiro, que data da época de D. Sebastião (até à pouco utilizado como posto da Guarda Fiscal), e nessas poças ainda hoje se tratam os doentes; outros que adoptam estas águas para uso interno, lá vão beber, ou mandam encher vasilhas para tratamento doméstico.”
Embora a nascente tenha um caudal apreciável, era coberta pela maré cheia, o que implicava um processo de captação trabalhoso. Mas, como diz o geólogo que temos vindo a citar, “a situação destas águas, dentro da encantadora «concha» de S. Martinho, torna-as particularmente valiosas, visto que estão enquadradas numa região cuja beleza e pitoresco lhe confere características especiais, únicas, no nosso país”.
Sousa (1947) enumera um possível processo, ao propor a construção de câmaras de captação de 4x4 m que não descessem abaixo do nível da baixa-mar, abrindo-se depois galerias seguindo as falhas transversais da colina de Santana.
As obras de captação foram executadas, desconhecemos se segundo a proposta de Sousa (1947), e em volta do tubo de descarga foi feito um muro de protecção. Quanto ao estabelecimento termal, as obras nunca foram avante, tendo as várias tentativas de exploração fracassado sempre, talvez pelo custo elevado das obras e pela sua difícil acessibilidade.
“Houve sim senhor, mas não se fez nada. Eu casei justamente em 46, e nessa altura já se tinha perdido essa ideia, pelo menos já não havia consistência nessa ideia. Eu comecei a vir para cá em 46, falava-se disso, mas assim como uma coisa sem grandes interesses.” (António Lamas)
A situação mantinha-se na década de 1960, informando o Anuário (1963) que “ainda não se encontra em exploração”. Actualmente a utilização continua a ser mesma descrita na década de 1940, banhos nas poças no período de maré vazia e transporte para ingestão, sendo mesmo comercializada nos cafés de Salir do Porto.
Zona de veraneio com várias unidades hoteleiras em S. Martinho do Porto e Salir do Porto.
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Acciaiuoli: 1944; 1947;1948a; 1948b; 1949-50; 1953. Calado 1995, Castro 1904, Contreiras 1951, Lepierre 1916, Mangorrinha 2002, Orey 1900, Ribeiro 1933, Roquete 1899, Sousa 1946, Zuquete 1944, Análise bacteriológica da Água das nascentes Alfândega Velha, Prainha de S.Romengo e Ponta da Barra 1923, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963, Livro do 1º congresso das actividades do Distrito de Leiria 1944,Le Portugal hidrologique e climatique 1930-42
Freguesia
Salir do Porto
Povoação/Lugar
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Localização
A nascente de Salir localiza-se na base da colina de Santana, 50 m depois das ruínas do forte do século XVI. O acesso faz-se pelo areal da concha de São Martinho, saindo de Salir e seguindo sempre pela beira-mar durante cerca de 1km. A nascente da Ponta da Barra ou do Farol localiza-se na extremidade do morro do Farol, do lado de São Martinho, só visível nas grandes marés vazias.
Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica: Ribeiras de costa
Zona geológica
Orlas Meso-Cenozóicas
Fundo geológico (factor geo.)
Vale tifónico – Diapiro
Dureza águas subterrâneas
100 a 300 mg/l de CaCO3
Concessionária
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Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.


“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais