
Tipo de exploração:
Água para ingestão e lavagens
Natureza da água:
Bicarbonatada
Indicações:
Aparelho digestivo, dermatoses, oftalmologia

[Alvoco da Serra visto do local da nascente]
Época termal
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Utilizada para doenças da pele, oftalmites e dispepsias
"Toda a gente aqui na zona sabe que esta água é muito boa, principalmente para os cravos, para os eczemas, para a pele de galo é muito óptima. Os cravos desaparecem logo, é uma paz. É verdade!" (Adilar)
Tratamentos/ caracterização de utentes
Ingestão e lavagens no local ou transportada ao domicilio
"As pessoas vão lá lavar-se, mas também trazem a água, desde que seja recolhida e metida em vidro ela não perde as qualidades." (presidente da JF)
"Quando lá vamos é para trazer uns garrafões dela, eu vou lá três ou quatro vezes por ano encher garrafões. Mesmo os turistas que cá vêm, levo-os lá muitas vezes." (Adilar)
Instalações/ património construído e ambiental
Na encosta da Serra da Estrela voltada para a aldeia de Alvoco, numa paisagem formada por penedos de granito. A água brota de um desses penedos, em pequeno caudal, correndo serra abaixo entre fetos.
Natureza
Bicarbonatada sódica, alcalina sódica, com elevado índice de sílica, 49% da mineralização total
"Não deve ter assim tanta sílica, tem à volta de 16 por ai assim. Eu até tenho análises, agora de repente não sei onde as tenho, mas tenho." (presidente da JF)
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Conta-se uma lenda sobre o local da Fonte da Pedra, recriação cristã da Fuga para o Egipto. Na sua fuga a Sagrada Família descansou sedenta no local, sem nenhuma nascente por perto. S. José ordenou ao burro que desse um coice na pedra. Na primeira tentativa nada sucedeu, a pedra não tugiu. Na segunda tentativa de coice a pedra gemeu, e ao terceiro coice a pedra chorou. Por essa razão se pode ainda ver as três marcas do coice na pedra, a primeira seca, a segunda com um fio de água a escorrer pela pedra e a terceira com um pequeno caudal onde se recolhe a água.
“Os pastores habituaram-se a lavar com ela as feridas dos cães e do gado por que rapidamente cicatrizavam. Fomos informados que foi analisada num Laboratório do Porto e que se tem pensado na sua exploração” (Almeida1975).
Também o Presidente da Junta nos falou dessas análises, que não conseguimos encontrar. Quanto a uma exploração comercial da água, parece-nos difícil, não só pela difícil acessibilidade do local como pelo pequeno caudal com que esta brota.
O Sr. Adilar nasceu nestas terras do Alvoco da Serra. De corpo forte e musculado, com os seus quarenta e tantos anos, contrasta pela sua postura com os moradores da aldeia. A sua vida foi aventura passada um pouco por todo o mundo, em 1968 começou a trabalhar em plataformas petrolíferas na América do Norte, regressou a Alvoco da Serra para por em prática um ideia antiga, a ligação da aldeia à Torre por teleférico : “Praticamente vivi sempre no Canadá, e depois vivi no mundo inteiro, porque eu conheço 69 países deste mundo. O último onde estive a viver foi na Suiça, eles têm muitas montanhas deste género, de 1900, 2000 m com teleférico e pista de esqui. E eu disse, bom, a nossa serra é formidável para fazer uma coisa dessas. Então nós vamos levar aquele caminho ali adiante até à Lomba, que é aquele monte mais alto que se vê daqui. Depois dali fazíamos um teleférico até ao planalto. Se nos ajudarem é para ir para a frente, porque aquilo vai para uns dois milhões de contos. Este projecto é meu, eu ando a fazer o caminho, ou melhor a máquina anda a fazer o caminho para passarem as máquinas. Já há vinte anos que ando com isto na mão"
O Sr. Adilar foi autor da marcação do percurso para se chegar à nascente, que consiste em pequenos “poisinhos” de pedras ( pedras de diferentes dimensões sobrepostas), até um local onde num grande penedo onde Adilar pintou a data da marcação do itinerário, “12-08-05”. Um pouco à direita encontra-se a nascente: "Ela deita só uma pontinha de água. Vocês vão fazer atenção que o caminho está bem marcado, mas depois chega a uma altura, e não vai ser difícil, porque onde estiver tudo verdinho é porque está lá a água".
Duas casas de turismo rural: Casa da Ponte e Casa das Lages.
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Almeida 1975
Freguesia
Alvoco da Serra
Povoação/Lugar
Penedo Gordo
Localização
É uma caminhada de hora e meia sempre em subida. Em Alvoco da Serra toma-se o caminho junto da Ribeira (Ponte Coche-Maria), que parte da EN em direcção à Torre. O alcatrão torna-se para em macadame depois das últimas casas. Cerca de 500 m à frente, toma-se um caminho de terra batida à direita até ao final, a cerca de 1,5 km. Daqui segue-se por veredas, assinaladas com pequenas pedras amontoadas, entre grandes blocos de granito, denominados Cabeço da Anucaia, Lombo, Malhada do Chão da Setra e Penedo Gordo. No percurso de cerca de 3 km, o penedo de onde brota a água está assinalado com pintura branca e a data “12-08-05”, ocasião em que o trilho foi marcado da forma referida.
"Para quem soubesse era uma hora e tal a andar, para quem não soubesse era umas duas horas" (Adilar)
Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio Mondego
Zona geológica
Maciço Hespérico - Zona Centro-Ibérica
Fundo geológico (factor geo.)
Rochas Magmáticas (granitóides)
Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l de CaCO3
Concessionária
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Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.



“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais