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[legenda]

 

Época termal
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Indicações

Reumatismos e dermatoses (Contreiras.1951)

"O Dr. João dizia que os de Longroiva não chegavam nada aos nossos banhos, para reumatismo, e para doenças de pele era mais os de Longroiva." (casal Figueiredo, proprietários dos banhos)

Tratamentos/ caracterização de utentes

Actualmente a água é levada para o domicílio, onde os seus utilizadores a usam em lavagens ou banho.
"Muita gente se curou lá. Chegou a ir lá um homem arrochado num burro, ali só se chegava de burro ou cavalo não havia meio de transporte. Antão ia tão mal, tão mal que ia arrochado, não se endireitava, tomou 10 banhos mas o mal estava tão entranhado que ele não se curava, queria-se ir embora. Então o meu marido disse «deves tomar 15 banhos, os que tomares a mais de 10, não pagas», ele assim fez e acabou por sair dali direitinho.

Fechámos aquilo vai para uns vinte e tantos anos. Um banho nessa altura custava 7$50. O livro de registos está com o meu filho. Os banhos eram no mínimo de sete, quinze banhos era o que o doutor dizia." (casal Figueiredo).

 

Instalações/ património construído e ambiental

Ao local só se chega a pé. A ribeira no sítio de Poios, um local de moagem em ruínas, corre entre escarpas de granito. Para jusante o vale torna-se ainda mais estreito, sendo necessário subir a colina na margem. Depois entra-se num denso bosque de salgueiros e olmos, por um mal definido atalho no meio da vegetação, que de repente se abre junto de um açude. Eram aqui os Banhos da Ariola, e o terreiro servia aos encontros dos aquistas.
Os proprietários dos Banhos da Ariola vivem actualmente no Lar da Terceira Idade de Meda:
"Sr.ª - Aquilo era muita gente, no Verão uns iam à aldeia ver a família outros estavam lá, aquilo no Verão não parava, aquilo era uma alegria, havia bailaricos …
Sr. – Tinha lá uma grafonola"
Sobre a porta, a inscrição “1953 – AMF” corresponde às obras que o proprietário António Figueiredo concluiu nesse ano em que os banhos passaram a ser dotados de quartos de dormir.
 "Sr.ª - Já havia banhos, não tinha era onde dormir, as pessoas ficavam em duas casitas um pouco mais acima ou nos moinhos ali perto. Depois nós construímos aquela casa.
 Sr. – A casa tem 20 quartos, a casa que eu fiz tinha 20 quartos, tinha cinco banheiras."

Amaro de Almeida (1975) referiu 20 quartos e 4 banheiras.

 

Natureza

Sulfúrea sódica
A primeira análise foi feita H. Masthaun em 1895    

 

Alvará de concessão

1912 - Concessão da Ariola, no Diário do Governo nº115, de 29 de Julho, a Luís Sequeira Oliva.

1938 - Decreto-lei nº 28831, declarando abandonada a nascente da Ariola. Diário do Governo, n.º 81, I série, de 9 de Julho.

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Historial

No Aquilégio Medicinal (1726) refere-se “umas caldas sulfúreas, pouco copiosas, mas de muita utilidade para os achaques frios, para os quais se usam em banhos, como em quaisquer outras caldas desta natureza, em que se fazem admiráveis efeitos.”
Em 1819, Jacinto Costa refere-se a estas águas na "Farmacopea Naval e Castrense" (cit. Accaiuoli 1944, II: 121), chamando-as de Caldas de Ranhados.
"O meu tio comprou a um Senhor de Ranhados, os primeiros a usarem os banhos foram a gente de Ranhados." (Sr. Figueiredo)
A exploração deve ter estado na mão de residentes na freguesia de Ranhados, que tem o seu limite territorial na outra margem, até 1938, ano em que foram decretadas abandonadas, cessando a concessão atribuída em 1912.
"Aquilo era de uns tios que não tinham filhos, de modos que uma parte herdámos e a outra comprámos, quer dizer, eram três herdeiros e dividiu-se aquilo, nós compramos aos outros por 85 contos." ( Sr.ª Figueiredo)
Esta compra foi efectuada pelo casal Figueiredo em 1945. Anos depois iniciaram as obras de construção do actual balneário-hospedaria, concluídas em 1953. Desta data até meados da década de 1970 os banhos tiveram o seu apogeu, chegando a haver 150 aquistas por quinzena. No início da década seguinte a frequência caiu, acabando os banhos por encerrar em meados dos anos 80.
"Os bens que temos já distribuímos pelos filhos, agora nosso só temos aquilo, até a casa em vivemos já demos. Os filhos são todos nossos amigos e nós somos deles.
Houve um senhor que nos quis comprar, mas nós não achámos jeito, ele tinha prédios e tinha-os assim muito abandonados. Os meus filhos não acharam jeito naquilo, se ele até nos prédios que tem os tinha abandonados." ( Sr.ª Figueiredo)
O casal Figueiredo tem de comum um olhar azul límpido, ela com uma saudável velhice, ele já com os seus 90 e tal anos a confundirem-lhe as ideias, mas mesmo assim afirmando-se como “cabeça de casal” nas certezas das suas memórias, ditas com uma voz arrastada). Ela, mais inteligente do que ele, mas sujeita ao poder masculino, por várias vezes evitou o desenho de uma discussão, dizendo baixo “tu é que sabes”. Mas o que sentimos nos dois era uma vontade enorme que os Banhos da Ariola não morressem com eles, já que o único dos seus filhos que estaria interessado na continuação da actividade foi vítima de um acidente.

"O meu filho, que morreu na França, é que queria fazer qualquer coisa daquilo, ele dizia-me «ó mãe, nem que eu tenha de ir a Lisboa falar com o Salazar». Mas Deus não quis que assim fosse, levou-o primeiro a ele.

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Alojamentos

Além dos 17 quartos existentes no edifício, há mais duas casas um pouco acima, que também servia de alojamento assim como os moinhos de Poios. Num total de alojamentos que deveria servir cerca de100 aquistas.

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Recortes

JN- 21/12/03 (Eduardo Pinto) – Balneários aquecidos do tempo dos romanos – Escavação – Projecto de arqueologia avança em três frentes.

JN- 22/11/99 (José Manuel Cardoso) – Termas da aldeia de Ariola à espera de um “milagre” – Depois de tempos áureos, nos anos 50, as águas sulfurosas já não beneficiam ninguém, com a estância votada ao abandono completo.

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Bibliografia

Acciaiuoli 1944, Acciaiuoli 1949-50, Almeida 1975, Barata 1867, Brandt 1881, Chernovitz 1878, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Correia 1922, Costa 1819, Cunha 1858, Félix 1877, Henriques 1726, Leal 1875-80, Lopes 1892, Mastbaum 1895, Melo 1911, Moreno 1882, Narciso 1920, Oliva 1913, Tavares 1810, Vilaça s/d, Águas e Termas Portuguesa 1918, Boletim de Minas 1930-42.

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Dados gerais

Distrito
Guarda

Concelho
Meda

Freguesia
Outeiro dos Gatos       

Povoação/Lugar
Ariola 

Localização
Na margem direita da ribeira de Teja, a cerca de 2 km do lugar de Ariola. Toma-se o caminho perto do cemitério, em direcção à ribeira, na primeira bifurcação segue-se o caminho da esquerda, na segunda bifurcação o caminho da direita, chegando-se à margem da ribeira no sítio de Poios, antigo lugar de moagem, de que restam as ruínas de quatro moinhos ou lagares e uma ponte de cantaria trabalhada, talvez de origem medieval. Neste ponto segue-se sempre na margem direita para jusante da ribeira, e cerca de 700 m à frente encontramos o edifício dos Banhos da Ariola.  

Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio Douro      

Zona geológica
Maciço Hespérico - Zona Centro-Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas magmáticas (granitóides)   

Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l de CaCO3

Concessionária

Uso popular

Telefone
n.d.

Fax
n.d.

Morada
n.d.

E-mail / site

n.d.

 

 


A ponte medieval a caminho dos banhos na aldeia abandonada de Poios




Uma das banheiras de Ariola




A fachada voltada para a ribeira de Teja 




O local da nascente sulfúrea